10 mitos sobre a vida no Canadá

Quando se compara a vida no Brasil com a de outros países, sempre se acha que viver no exterior é melhor, pois os índices de violência, desemprego e outros aspectos negativos são menores. Em muitos lugares, são mesmo. Viver no Canadá, por exemplo, pode ser melhor por essas razões.No entanto, é fácil criar uma grande expectativa e achar que a vida em um local mais estável política e financeiramente é um conto de fadas, o que não é verdade. Mesmo as nações mais ricas têm os seus problemas.

Você já deve ter lido aqui mesmo, no site, que o Canadá é um país muito receptivo com imigrantes, embora, claro, toda regra tem a sua exceção, como você verá mais adiante. Esse é um dos melhores pontos quando se escolhe o país para viver. Isso até reforça as certezas de uma vida melhor.

Porém, a partir de agora você verá o que pode encontrar lá que não é tão bom assim. Evidentemente, esses não são motivos para desistir de seus planos de viver no Canadá. É simplesmente fazer com que você veja os dois lados da moeda e esteja mais preparado para ter uma trajetória de sucesso.

10 mitos sobre a vida canadense

Você deve imaginar o Canadá como um país frio, desenvolvido, onde todo mundo tem a sua casa, seu emprego e vive feliz e sossegado. É fácil criar estereótipos, ainda mais quando não se conhece o local de fato.

Apesar de muitos imigrantes viverem confortavelmente no país, você conhecerá fatos que não esperaria em um local tão desenvolvido e cheio de oportunidades. Saiba dez mitos sobre viver no Canadá.

1 – Todos têm casa

Lamentavelmente, o direito à moradia também não é respeitado de forma plena no Canadá. No centro de cidades como Toronto e Vancouver, por exemplo, há pessoas vivendo e dormindo nas ruas, mesmo em dias muito frios.

Ao contrário do que se pensa, há muitos moradores de rua no Canadá, muitos deles sem ter albergues para passar a noite.

Em Toronto, de acordo com dados de 2013 da organização Homelessness, pouco mais de 5 mil pessoas não tinham um endereço. Desse número, quase 500 vivem literalmente nas ruas e a grande maioria dorme em albergues do governo.

A prefeitura tem um programa que oferece dinheiro e abrigo para pessoas que não tenham onde viver. No entanto, mesmo com os esforços, o problema ainda persiste.

2 – A carga horária de trabalho é menor

No Brasil, as férias são de 30 dias corridos, sem contar a quantidade de feriados e “pontes”, dias que acabam não sendo aproveitados por estarem logo antes ou depois de datas comemorativas. Viver no Canadá é sinônimo de se preparar para trabalhar mais.

No país, as férias são de dez dias úteis, o equivalente a duas semanas. Normalmente, as pessoas trabalham oito horas por dia (semelhante ao Brasil), com a diferença de que essa jornada é sagrada, ou seja, você não verá pessoas falando de outros assuntos nesse período.

O número de datas comemorativas é menor e não há feriados prolongados. Se a data cai em uma terça-feira, por exemplo, todos trabalham na segunda.

3 – Não há violência

Aqui no Brasil isso já está enraizado, mas o Canadá vive um problema com áreas e atos violentos. Toronto e Vancouver, por exemplo, vivem casos de furtos de carros, abuso sexual, assaltos e violência doméstica.

Embora os números ainda sejam bem menores do que os do Brasil, isso já serve de alerta. Afinal, é muito fácil pensar que esses problemas desaparecem quando se passa a viver no Canadá.

4 – Não existe verão

Evidentemente, os invernos canadenses são bem mais rigorosos que os brasileiros. Porém, mesmo com baixas temperaturas, muitas vezes até negativas, além da neve, é possível apreciar temperaturas bem agradáveis no verão – e até quentes demais.

Com exceção do norte, próximo ao polo, o território canadense é bem quente entre os meses de junho e setembro, com temperaturas que podem ultrapassar os 40 graus – raras até mesmo no Brasil.

5 – Existe emprego para todos

Mesmo que você consiga tirar o seu visto de trabalho e viva no Canadá regularmente, não há uma garantia de você conseguir um emprego em sua área. O país sempre tem oferta de mão de obra, porém, algumas ocupações precisam da autorização de um conselho responsável para validar o diploma expedido no Brasil.

Para trabalhar no Canadá, é preciso ter qualificação e boa fluência no inglês. Do contrário, se estabelecer no país é mais difícil.

Alguns desses processos são demorados e demandam uma boa quantia de dinheiro.

Para pessoas graduadas, ter de procurar emprego em uma outra ocupação apenas para sobreviver pode ser uma experiência frustrante. Por isso, antes de pensar em viver no Canadá, pense o que faria em uma situação dessas. Autoconhecimento é fundamental para que não haja traumas nesse período fora do Brasil.

6 – Brasileiros têm preferência nas empresas

Em algum lugar, em algum momento, até com o intuito de incentivar brasileiros a viver no Canadá, alguém disse que temos preferência nas empresas do país e isso foi tomado como verdade.

Os canadenses costumam ser mais abertos aos imigrantes, mas isso acontece independentemente do país de origem. Logo, você não terá nenhum mérito ou privilégio por ser brasileiro.

A preferência é por um profissional qualificado, com visto de trabalho ou permanente e com boa fluência em inglês e/ou francês (no caso de Quebec).

7 – Saúde e educação são gratuitos

A maior parte do sistema educacional do Canadá é pública. No entanto, ele não está aberta a todos os imigrantes. Tudo vai depender do seu tipo de visto e da província onde irá permanecer.

Um turista, por exemplo, não tem o direito de usar as instituições públicas do país, principalmente as escolas. Se tiver permissão para estudar e estiver matriculado em uma universidade privada, por exemplo, você também terá de pagar pela educação dos outros membros da família, como filhos.

Em algumas províncias, como a British Columbia, canadenses e imigrantes com visto temporário pagam pela saúde pública.

8 – Dá para fazer a vida no Canadá estando ilegal

Os Estados Unidos receberam muitos imigrantes ilegais de todas as partes do mundo, com chances de crescimento a todos (embora o cerco esteja se apertando atualmente). Viver no Canadá nessas condições, entretanto, não é a mesma coisa.

Para que você tenha direito à saúde e educação, por exemplo, você precisa do visto. Ilegais não têm direitos no país. Portanto, o melhor é seguir todo o processo legalmente, mesmo que a princípio seja mais trabalhoso.

9 – O processo de imigração é simples

É bem verdade que o processo no Canadá é mais fácil do que tentar a imigração legal para outros países, como os Estados Unidos. Mesmo assim, não é apenas tirar o visto e pronto.

O país possui alguns programas de imigração e isso é um incentivo para quem deseja estudar e/ou trabalhar. Porém, se a sua fluência de inglês é baixa ou não tem comprovação de renda para se manter e viver no Canadá no início de sua jornada, as suas chances são muito reduzidas.

Além disso, você precisa ter qualificação profissional. Não há muita burocracia, mas as exigências são muitas. É preciso muita paciência e planejamento para que tudo dê certo.

10 – Não existe preconceito com imigrantes

Embora os canadenses, de um modo geral, sejam educados, respeitosos e receptivos, não se pode generalizar. Em alguns locais, porém, pode-se encontrar pessoas que torcem o nariz para os programas de imigração oferecidos pelo governo do país e mais ainda para as pessoas que têm outras origens.

Viver no Canadá também pode ser sinônimo de comportamentos hostis e preconceituosos.

Qual o custo médio de vida canadense

Para viver no Canadá de forma confortável, é preciso avaliar bem as receitas e gastos. Mas, em geral, qual é a quantia mensal necessária para pagar as contas e ter uma sobra no final do mês? Um salário mínimo é suficiente?

Tudo vai depender do seu estilo de vida e de quantas pessoas há na sua família. Se você está sozinho ou com o (a) cônjuge, não é preciso muito dinheiro. Dependendo da quantidade de filhos, as coisas podem mudar um pouco.

A conta de luz, por exemplo, costuma ser mais barata que no Brasil. Uma família com filhos, por exemplo, pode gastar até 50 dólares mensais, sem contar o aquecimento, caso não faça parte do aluguel. Um casal pode gastar em média 25 dólares.

Os planos de saúde custam, geralmente, 75 dólares por pessoa, com descontos para adicionais, podendo chegar a 150 para famílias de até cinco pessoas.

Um plano de internet que atenda a todas as necessidades chega a custar 50 dólares. O ideal é ter um pacote que inclua também TV a cabo, mais vantajoso financeiramente.

A telefonia, principalmente a celular, tem pacotes com os preços mais variados, como no Brasil. Tudo vai depender das garantias que cada um deles oferece. Em média, os planos variam entre 40 e 80 dólares.

As despesas no supermercado variam muito de acordo com o tamanho da família e o local, pois é preciso pesquisar os melhores preços.

Quanto ao supermercado, os custos podem variar muito, dependendo do tamanho da família e do local onde as compras são feitas, pois há uma enorme variação de preços. Em média, com 250 dólares mensais é possível comprar comida para um adulto, sem a necessidade de almoçar ou jantar fora.

Mas, quando se fala em viver no Canadá, o maior custo é certamente o do aluguel. Assim como outras despesas, há uma grande variação de valores, de acordo com o tamanho e localização do imóvel.

Imigrar sozinho traz mais opções nesse aspecto. Para economizar, você pode dividir um apartamento ou viver em um homestay. Morar em locais com mais facilidades, como os centros das cidades, é um pouco mais caro. Um quarto individual custa em torno de 700 a 800 dólares mensais.

Já alugar uma parte de um apartamento é normalmente mais barato: cerca de 500 dólares.

Os homestays também são opções compensadoras, pois têm benefícios que farão com que você não se preocupe com algumas outras despesas triviais. Por cerca de 800 dólares mensais, você tem acomodação, internet, energia elétrica e três refeições diárias.

Viver no Canadá é mais caro nas áreas mais centrais das grandes cidades, mas as facilidades são maiores.

Se você vai acompanhado, outros tipos de acomodações podem trazer mais privacidade e conforto, mesmo que o cenário não seja tão convidativo no começo. Você pode viver no Canadá alugando um porão – um basement, como é conhecido lá.

Porém, diferentemente do conceito no Brasil, o basement é um local organizado, espaçoso e com luminosidade. É a parte de baixo da casa e é comum canadenses a alugarem caso não a usem. Em média, uma acomodação como essa custa 900 dólares.

Essas casas, no entanto, ficam distantes do centro. Se você preferir morar em um local mais próximo do comércio e empresas, pode alugar um apartamento de um quarto por até 1.500 dólares. Com dois, perfeito para família com filhos, o valor sobe para até 2.500 dólares.

Prática comum no Brasil, o Canadá também exige um valor usado como caução, normalmente 50% do valor do aluguel. Ao término do contrato, ele é devolvido, mas, se você romper o acordo, a quantia será usada como multa.

Os aluguéis já incluem o fornecimento de água, condomínio e aquecimento. Os imóveis vêm equipados com fogão e geladeira. Todos os valores estão em dólares canadenses.

Se você pretende viver no Canadá, temos textos que tratam sobre todos os assuntos relacionados: desde como tirar o visto até conseguir um emprego e requerer uma permissão permanente para ficar no país. Leia-os e tenha mais informações.

Visite o blog sempre para estar por dentro de tudo relacionado a imigração. Eventuais mudanças são sempre divulgadas por aqui.

E, se você viveu ou vive no Canadá, deixe sua experiência registrada! Entre em contato e ajude outros brasileiros que também têm planos no país. Também estamos à disposição para quaisquer dúvidas.

Até a próxima!

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